Pensemos em um pianista. O Método Feldenkrais ajuda na técnica e no refinamento das habilidades motoras do criador. Sem dúvida, ter consciência dos dedos é fundamental para tocar melhor um piano.
Mas há um outro aspecto muito mais interessante nesse entrelaçar. O desenvolvimento da consciência sobre a relação do pianista com seu piano, como ele conhece os sons antes das notas, como ele brinca, de que forma ele e o piano interagem. E, principalmente, o que faz ele tocar?
Nesse momento, entramos na questão da motivação, da intenção, da propulsão. Aqui é importante (e difícil) diferenciar estar interessado de querer ser interessante. E essa tênue linha é o que permite a autenticidade do criador.
Se ele quiser ser interessante, seguirá reproduzindo aquilo que já é garantido que lhe renderá aplausos. Se ele estiver interessado, poderá dar voz a sua própria pulsão.
O Método Feldenkrais nos auxilia a encontrar, entre os mares de aplausos e vaias que se cristalizaram na nossa carne, a nossa pulsão; a observar as barreiras que se formam quando desejamos o aplauso mais do que a criação; também nos dá ferramentas para imergir no processo e deixar que somente aquilo que está sendo criado esteja em foco, desgrudando de crenças e de expectativas, e se abrindo a observar e descobrir uma nova possibilidade de criação.

Por Gabriela Guaragna

Write a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

0 / 10